"É preciso mergulhar por abismos obscuros...
E nas profundezas viver entre maravilhas e glórias eternas" - Lovecraft.
Não é de hoje que o ser humano deseja alcançar o espaço...
Foram séculos de tentativas e desenvolvimento da tecnologia astronômica para romper as fronteiras do nosso próprio Sistema Solar. Viajar entre as estrelas, visitar outros planetas, contemplar outras luas...
Mais do que um simples desejo... na época atual é uma necessidade extrema!
Por isso, foram selecionadas pessoas destemidas, ousadas e brilhantes, que aceitaram o desafio de mergulhar no grande abismo infinito do universo, em busca de uma esperança para a raça humana (que hoje colhe os frutos malditos de milênios de maus-tratos ao nosso próprio planeta natal).
É consenso que precisamos de um lugar para viver - mais limpo, seguro e sem nenhum cataclisma eminente!
A paisagem do universo, com seus astros deslizando pelos moldes do espaço, a milhares de anos-luz da Terra; a primeira vista leva a mente humana a um estado melancólico de contemplação; depois de adrenalina... e finalmente de medo!
O medo do desconhecido é a sensação mais antiga e pura dos seres humanos...
É o mais intenso e o mais primitivo de todos!
Aquele medo que corrompe o coração das pessoas quando elas estão frente a frente de algo que não compreendem. O mesmo medo que sentiram os primeiros australopitecos, nos primórdios da reça humana, à medida que foram descobrindo as maravilhas do mundo (como o fogo, as armas primitivas como as lanças e as clavas, a caça e a morte)...
A ignorância é o combustível desse medo...
Aquela sensação avassaladora de não ter poder sobre o que se mostra...
De não compreender... de não poder controlar nada!
Isso, sem dúvidas, pode enlouquecer o mais forte dos homens...
E é isso que os astronautas irão encontrar, se forem descuidados, no abismo do universo...
A Era das Viagens Espaciais:
No quarto milênio, as fronteiras do universo não são mais intransponíveis; e os seres humanos finalmente puderam ir além das fronteiras do sistema solar - desbravando o espaço obscuro; arriscando a própria vida por causa de especulações astronômicas sobre lugares assombrosos e colonizáveis...
Esses audazes astronautas são considerados os "heróis da espécie", viajando por décadas, a uma distância estupenda (milhares de anos-luz); por onde nenhum homem jamais esteve...
Tudo isso foi possível graças ao maior advento da humanidade: o motor de dobra espacial!
Essa tecnologia custou vários séculos de árduas pesquisas no campo da antimatéria; gerações de cientistas aprimorando a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein; até chegar ao que parecia impossível: uma máquina capaz de simular um "buraco de minhoca", curvando o espaço-tempo, fazendo com que um cruzador intergalático equipado com esse artefato viajasse até mil vezes mais rápido que a velocidade da luz!
Tal façanha científica talvez nunca tivesse sido realizada se não fosse a atual necessidade extrema de migrar para o espaço e estabelecer moradia em outros planetas...
A Terra está morrendo e a raça humana está à beira do juízo final!
Os esforços de todas as autoridades governamentais do mundo foram concentrados inteiramente nos projetos de colonização espacial; o que, obviamente, fez com que os trabalhos no campo da astronomia dessem um salto evolutivo gigantesco nos últimos séculos...
Autoctônias:
As teorias astronômicas sobre planetas habitáveis se tornaram ainda mais evidentes no quarto milênio...
Há pelo menos alguns milhares de "possíveis corpos celestes habitáveis" espalhados pela Via Láctea; observados de longe por telescópios poderosíssimos e sondas de monitoração. Esses possíveis planetas habitáveis são chamados de Autoctônias.
Nas últimas décadas, várias equipes de pesquisadores foram enviadas para alguns desses planetas; com a missão de confirmar as especulações científicas sobre as possibilidades de colonização...
Mas até hoje nenhuma retornou com respostas positivas...
Várias equipes se perderam no espaço; ou foram despedaçadas por algum erro de dobra espacial - erros que serviram para aprimorar ainda mais o processo e a tecnologia das viagens intergaláticas.
A maioria das equipes continua em viagem, mesmo depois de tanto tempo...
Isto porque a viagem, dependendo do setor galático onde a Autoctônia está localizada; pode demorar várias dezenas de anos...
Iniciativa Cronos:
A Iniciativa Cronos é o maior e mais importante projeto de exploração espacial da história da Terra!
Uma força tarefa científica expedicionária composta das mentes mais brilhantes no campo da astronomia, que promove e administra as missões espaciais em toda a Via Láctea. É uma espécie de "marinha espacial científica", preparada para desbravar os confins galáticos e colonizar planetas possivelmente habitáveis...
A Cronos tem várias estações espaciais, chamadas de Hipérions; que servem como marcos galáticos, discriminando as zonas espaciais já exploradas na Via Láctea. A base central do Cronos fica na Hipérion-1 (localizada entre a Terra e a Lua).
Prometheu é o codinome dos cruzadores intergaláticos desenvolvidos especialmente para suportar viagens de dobra espacial; sem pôr em risco a integridade física e mental dos tripulantes. Nada conhecido na galáxia tem o deslocamento mais rápido que um Prometheu viajando em "ponte de dobra" (pois eles podem chegar a uma velocidade centenas de vezes mais rápida que a luz).
Existe uma imensa gama de espaçonaves da classe "Prometheus" - com os mais diversos formatos e finalidades. Os primeiros contavam com câmaras de contenção e cápsulas de hibernação - pois a viagem pela "ponte de dobra" é extremamente prejudicial ao organismo humano. Mas a quarta geração de "Prometheus" (desenvolvida a mais de oitenta anos); trouxe um novo conceito: verdadeiras "cidades artificiais"; capazes de proteger seus tripulantes e mantê-los ativos - mesmo durante os deslocamentos pelo tempo-espaço. A primeira espaçonave desta geração foi a U.S.S. Octopus (ainda em operação).
Argos são computadores dotados do que há de mais moderno em termos de "inteligência artificial". Eles cuidam da manutenção e administração estrutural das Prometheus e Hipérions. Cada Argo é a "alma" do cruzador em que está instalado. Um Argo se comunica com os tripulantes (com uma voz feminina clara, doce e gentil); informando-os, aconselhando-os; apoiando-os ou até recriminando-os. Trata-se de uma "entidade" onisciente e com vontade própria...
O que pode ser potencialmente perigoso!
Obscura, espiral e perigosa, a Via Láctea gira sem propósito pelo universo...
Um vórtex com inúmeros "braços"; cada "braço" composto por bilhões de sistemas solares; todos atraídos pelo seu núcleo voraz...
No entanto, apesar de seu tamanho assombroso; é apenas mais uma galáxia ordinária, perdida no meio de um infinito de outras galáxias...
E nem de longe, chega a ser uma das maiores!
Ir além de seus limites; mesmo com o nível tecnológico atual, é um sonho quase impossível!
Uma viagem até as extremidades da Via Láctea, mesmo viajando mil vezes mais rápido que a luz, dependendo de que lado da borda se quer chegar, poderia demorar mais de um século. Além disso, a mente humana não está preparada para uma relação tão longa com um infinito de coisas nunca antes vistas...
Mesmo as mentes mais poderosas já sucumbiram a delírios e outras mazelas psicológicas, quando se arriscaram a ir longe demais no espaço sideral...
Há cinco "braços galáticos" na Via Láctea: Perseus, Norma, Scutum-Centauro, Carina-Saginário; e, o menor de todos, Órion (onde está localizado o nosso Sistema Solar - incluindo, obviamente, a Terra). Eles giram ao redor do núcleo galático, formando um redemoinho à deriva no universo; rebocando centenas de trilhões de corpos celestes entre bilhões de sistemas solares...
Os navegadores usam os "braços" como "fronteiras galáticas"; delimitando regiões e ajudando na própria localização entre as estrelas...
Há vários setores curiosos entre os "braços" - como as "Estrelas Vermelhas" (que guardam segredos ancestrais sobre a origem da galáxia e de todas as formas de vida existentes); o "Labirinto de Estrelas" (região que confunde equipamentos de localização e a própria noção perspectiva de tempo e espaço dos astronautas); a "Zona Obscura" (que, segundo os mais supersticiosos, é a origem e fonte de todos os medos); o "Cemitério de Estrelas" (que, por algum motivo obscuro, é o setor de milhares de planetas mortos); e as "Ruínas dos Pré-Humanos" (que, segundo os criptólogos, reforçam a ideia da Teoria dos Deuses Astronautas - segundo a qual a vida na Terra teria se originado através de experimentos realizados por povos alienígenas).
O espaço infinito exerce uma influência misteriosa sobre a mente humana. A maioria dos astronautas que se afastam muito da Terra relata sobre alucinações e surtos de pânico. Talvez a série de novas informações visuais e o próprio sentimento de apego ao lugar natal (e a possibilidade de nunca mais voltar); sejam os responsáveis pelos distúrbios psicológicos e crises de insanidade. Os psicólogos chamam isso de "Febre do Espaço".
Já era previsto que a mente humana demoraria a se readaptar depois da hibernação. A letargia e a confusão entre o que é "real" e o que é "sonho" eram sintomas esperados; mas nada tão grave ou perigoso a ponto de comprometer gravemente a sanidade do astronauta. Seria apenas um processo de confusão e reorganização cerebral que duraria algumas semanas...
Não se sabe ao certo se todas as missões passaram (ou passam) por isso; pois nem todas as missões retornaram ou se comunicaram ainda. Mas desde o início do projeto de exploração espacial, inúmeros cruzadores se perderam no espaço de forma misteriosa (talvez por falhas de estrutura, erros de navegação, choques com corpos celestes ou, o mais provável segundo a maioria dos astronautas, um surto de Febre do Espaço)!
Após a quarta geração dos Prometheus (que dispensavam o uso das câmaras de hibernação); os casos de Febre do Espaço se tornaram mais raros... mas cerca de 25% das tripulações que estão a mais de um ano viajando acabam manifestando seus sintomas. Este percentual dobra a cada ano...
Depois de passarem tanto tempo em ambientes estéreis e artificiais; alguns indivíduos desenvolvem um tipo temporário de narcolepsia. A parte subconsciente do cérebro simplesmente não desliga facilmente; fazendo com que eles cheguem a sonhar enquanto ainda estão acordados...
Esses sintomas já eram previstos e teriam como solução apenas o tempo e a reorganização cerebral natural de cada tripulante. Teoricamente, a confusão mental duraria pouco menos de uma semana...
Um triste engano!
A distância no espaço e o tempo de viagem, de alguma forma obscura, tiveram uma influência terrível sobre essa condição de sonolência... O que era para ser apenas um leve estado temporário de confusão da realidade (nada que prejudicasse a sanidade dos tripulantes); tende a se tornar um turbilhão de loucura e morte!
Os tripulantes simplesmente perdem a noção do que é real e do que é sonho; ouvindo vozes, vendo coisas, passando a se perder em ilusões e manifestações oníricas horrendas. E o pior é que tudo que se manifesta são alucinações terríveis dos pavores particulares de cada um - criando um grande surto de delírio coletivo!
Às vezes há dúvidas até se eles estão realmente acordados... ou se tudo faz parte de um sonho ruim!
Como vimos, a U.S.S. Octopus foi a primeira espaçonave da quarta geração da classe Prometheus. Seu nome vem das três torres imensas, que lembram tentáculos de polvo. E mesmo tendo se passado 83 anos desde sua primeira missão; ela se mantém como um ícone da capacidade humana (e do sucesso da Iniciativa Cronos).
Mas obviamente suas estruturas e tecnologias são consideradas ultrapassadas e antiquadas - e não são poucos aqueles que pedem a "aposentadoria" da "Vecchia Signora". Sua tripulação é composta por 150 homens e mulheres; divididos em quatro "grupos" (conforme suas atribuições):
* 60 Azuis (cujos uniformes lembram trajes de gala da aeronáutica - predominantemente na cor azul royal; com exceção dos seis Comandantes - cujos uniformes são da cor azul marinho) trabalham no Centro de Comando;
* 30 Brancos (cujos jalecos e uniformes são predominantemente brancos) são cientistas e médicos - revezando-se no trabalho nos Laboratórios e Clínicas; além de eventuais "pesquisas de campo" nas explorações das Autoctônias;
* 30 Vermelhos (cujas armaduras e uniformes são predominantemente escarlates) são os militares, responsáveis pela segurança interna e externa da tripulação; e também são os responsáveis pela pilotagem dos Caças Aurora;
* 30 Cinzas (cujos uniformes e macacões são predominantemente cinzas) são aqueles que trabalham em posições auxiliares (cozinha, limpeza, manutenção e também como estivadores nas Docas).
Evidentemente, não existem "folgas" no espaço - mas cada trabalhador permanece dez horas "em serviço" e dez horas "em repouso" (podendo dormir, se alimentar e se divertir como quiserem). Como não estão na Terra, seus "dias" são de apenas 20 horas; e são contados a partir de cada início de missão; seguido pelo número de anos terrestres em que a espaçonave está em operação (exemplo: dia 129/83 significa que a missão já dura 129 "dias"; desde sua partida do último encontro com uma base Hipérion; e que a U.S.S. Octopus está trabalhando a 83 anos terrestres). Mas é claro que todos os tripulantes utilizam o "calendário terráqueo", tal com uma "bússola de tempo"...
A estrutura "habitável" desta espaçonave é composta por três "anéis", a saber:
* Anel Externo = composto pelas Docas (imensos depósitos de peças e suprimentos); Hangares (onde ficam guardados os Caças Aurora); e os Canhões (principal sistema de defesa da espaçonave). Todos estes setores são interligados por uma gigantesca esteira metálica, girando em sentido anti-horário, facilitando o transporte de cargas e pessoas;
* Anel Intermediário = funciona como uma "mini-cidade"; com os Aposentos da tripulação; Clínica Médica; Laboratórios de Pesquisas; Refeitórios; Áreas de Lazer e Convivência; Sala de Reunião etc. Situa-se acima das Pontes Principais e abaixo das Pontes Secundárias;
* Anel Interno = abriga o Centro de Comando da nave. Existem 30 cabines de pilotagem (ligadas diretamente ao "sistema nervoso central" da Argos) - onde são analisados todos os dados relativos à viagem (tais como rotas, níveis de suprimentos, relatórios de comunicação e inteligência, estado dos motores e demais equipamentos, acionamento dos sistemas de defesa, segurança interna, controle de gravidade artificial etc).
Existe ainda um "quarto anel", bem próximo ao Centro de Comando (embora isolado e um nível acima); onde estão os comandos manuais do reator nuclear - usados apenas em casos de falhas críticas dos controles eletrônicos. O nível de calor e radiação são imensos; e por isso, esta área raramente é acessada (e quando o fazem, os técnicos devem estar usando roupas de chumbo especialmente desenvolvidas para estas funções - podendo permanecer ali por no máximo cinco minutos).
Obviamente, não foram poucas as crises enfrentadas pela "Vecchia Signora"...
Mas não foram nada, comparadas aos desafios vindouros!
Uma força tarefa científica expedicionária composta das mentes mais brilhantes no campo da astronomia, que promove e administra as missões espaciais em toda a Via Láctea. É uma espécie de "marinha espacial científica", preparada para desbravar os confins galáticos e colonizar planetas possivelmente habitáveis...
A Cronos tem várias estações espaciais, chamadas de Hipérions; que servem como marcos galáticos, discriminando as zonas espaciais já exploradas na Via Láctea. A base central do Cronos fica na Hipérion-1 (localizada entre a Terra e a Lua).
Prometheus:
Prometheu é o codinome dos cruzadores intergaláticos desenvolvidos especialmente para suportar viagens de dobra espacial; sem pôr em risco a integridade física e mental dos tripulantes. Nada conhecido na galáxia tem o deslocamento mais rápido que um Prometheu viajando em "ponte de dobra" (pois eles podem chegar a uma velocidade centenas de vezes mais rápida que a luz).
Existe uma imensa gama de espaçonaves da classe "Prometheus" - com os mais diversos formatos e finalidades. Os primeiros contavam com câmaras de contenção e cápsulas de hibernação - pois a viagem pela "ponte de dobra" é extremamente prejudicial ao organismo humano. Mas a quarta geração de "Prometheus" (desenvolvida a mais de oitenta anos); trouxe um novo conceito: verdadeiras "cidades artificiais"; capazes de proteger seus tripulantes e mantê-los ativos - mesmo durante os deslocamentos pelo tempo-espaço. A primeira espaçonave desta geração foi a U.S.S. Octopus (ainda em operação).
Argos:
Argos são computadores dotados do que há de mais moderno em termos de "inteligência artificial". Eles cuidam da manutenção e administração estrutural das Prometheus e Hipérions. Cada Argo é a "alma" do cruzador em que está instalado. Um Argo se comunica com os tripulantes (com uma voz feminina clara, doce e gentil); informando-os, aconselhando-os; apoiando-os ou até recriminando-os. Trata-se de uma "entidade" onisciente e com vontade própria...
O que pode ser potencialmente perigoso!
A Exploração Intergalática:
Obscura, espiral e perigosa, a Via Láctea gira sem propósito pelo universo...
Um vórtex com inúmeros "braços"; cada "braço" composto por bilhões de sistemas solares; todos atraídos pelo seu núcleo voraz...
No entanto, apesar de seu tamanho assombroso; é apenas mais uma galáxia ordinária, perdida no meio de um infinito de outras galáxias...
E nem de longe, chega a ser uma das maiores!
Ir além de seus limites; mesmo com o nível tecnológico atual, é um sonho quase impossível!
Uma viagem até as extremidades da Via Láctea, mesmo viajando mil vezes mais rápido que a luz, dependendo de que lado da borda se quer chegar, poderia demorar mais de um século. Além disso, a mente humana não está preparada para uma relação tão longa com um infinito de coisas nunca antes vistas...
Mesmo as mentes mais poderosas já sucumbiram a delírios e outras mazelas psicológicas, quando se arriscaram a ir longe demais no espaço sideral...
Há cinco "braços galáticos" na Via Láctea: Perseus, Norma, Scutum-Centauro, Carina-Saginário; e, o menor de todos, Órion (onde está localizado o nosso Sistema Solar - incluindo, obviamente, a Terra). Eles giram ao redor do núcleo galático, formando um redemoinho à deriva no universo; rebocando centenas de trilhões de corpos celestes entre bilhões de sistemas solares...
Os navegadores usam os "braços" como "fronteiras galáticas"; delimitando regiões e ajudando na própria localização entre as estrelas...
Há vários setores curiosos entre os "braços" - como as "Estrelas Vermelhas" (que guardam segredos ancestrais sobre a origem da galáxia e de todas as formas de vida existentes); o "Labirinto de Estrelas" (região que confunde equipamentos de localização e a própria noção perspectiva de tempo e espaço dos astronautas); a "Zona Obscura" (que, segundo os mais supersticiosos, é a origem e fonte de todos os medos); o "Cemitério de Estrelas" (que, por algum motivo obscuro, é o setor de milhares de planetas mortos); e as "Ruínas dos Pré-Humanos" (que, segundo os criptólogos, reforçam a ideia da Teoria dos Deuses Astronautas - segundo a qual a vida na Terra teria se originado através de experimentos realizados por povos alienígenas).
A Febre do Espaço:
O espaço infinito exerce uma influência misteriosa sobre a mente humana. A maioria dos astronautas que se afastam muito da Terra relata sobre alucinações e surtos de pânico. Talvez a série de novas informações visuais e o próprio sentimento de apego ao lugar natal (e a possibilidade de nunca mais voltar); sejam os responsáveis pelos distúrbios psicológicos e crises de insanidade. Os psicólogos chamam isso de "Febre do Espaço".
Já era previsto que a mente humana demoraria a se readaptar depois da hibernação. A letargia e a confusão entre o que é "real" e o que é "sonho" eram sintomas esperados; mas nada tão grave ou perigoso a ponto de comprometer gravemente a sanidade do astronauta. Seria apenas um processo de confusão e reorganização cerebral que duraria algumas semanas...
Não se sabe ao certo se todas as missões passaram (ou passam) por isso; pois nem todas as missões retornaram ou se comunicaram ainda. Mas desde o início do projeto de exploração espacial, inúmeros cruzadores se perderam no espaço de forma misteriosa (talvez por falhas de estrutura, erros de navegação, choques com corpos celestes ou, o mais provável segundo a maioria dos astronautas, um surto de Febre do Espaço)!
Após a quarta geração dos Prometheus (que dispensavam o uso das câmaras de hibernação); os casos de Febre do Espaço se tornaram mais raros... mas cerca de 25% das tripulações que estão a mais de um ano viajando acabam manifestando seus sintomas. Este percentual dobra a cada ano...
Depois de passarem tanto tempo em ambientes estéreis e artificiais; alguns indivíduos desenvolvem um tipo temporário de narcolepsia. A parte subconsciente do cérebro simplesmente não desliga facilmente; fazendo com que eles cheguem a sonhar enquanto ainda estão acordados...
Esses sintomas já eram previstos e teriam como solução apenas o tempo e a reorganização cerebral natural de cada tripulante. Teoricamente, a confusão mental duraria pouco menos de uma semana...
Um triste engano!
A distância no espaço e o tempo de viagem, de alguma forma obscura, tiveram uma influência terrível sobre essa condição de sonolência... O que era para ser apenas um leve estado temporário de confusão da realidade (nada que prejudicasse a sanidade dos tripulantes); tende a se tornar um turbilhão de loucura e morte!
Os tripulantes simplesmente perdem a noção do que é real e do que é sonho; ouvindo vozes, vendo coisas, passando a se perder em ilusões e manifestações oníricas horrendas. E o pior é que tudo que se manifesta são alucinações terríveis dos pavores particulares de cada um - criando um grande surto de delírio coletivo!
Às vezes há dúvidas até se eles estão realmente acordados... ou se tudo faz parte de um sonho ruim!
U.S.S. Octopus:
Como vimos, a U.S.S. Octopus foi a primeira espaçonave da quarta geração da classe Prometheus. Seu nome vem das três torres imensas, que lembram tentáculos de polvo. E mesmo tendo se passado 83 anos desde sua primeira missão; ela se mantém como um ícone da capacidade humana (e do sucesso da Iniciativa Cronos).
Mas obviamente suas estruturas e tecnologias são consideradas ultrapassadas e antiquadas - e não são poucos aqueles que pedem a "aposentadoria" da "Vecchia Signora". Sua tripulação é composta por 150 homens e mulheres; divididos em quatro "grupos" (conforme suas atribuições):
* 60 Azuis (cujos uniformes lembram trajes de gala da aeronáutica - predominantemente na cor azul royal; com exceção dos seis Comandantes - cujos uniformes são da cor azul marinho) trabalham no Centro de Comando;
* 30 Brancos (cujos jalecos e uniformes são predominantemente brancos) são cientistas e médicos - revezando-se no trabalho nos Laboratórios e Clínicas; além de eventuais "pesquisas de campo" nas explorações das Autoctônias;
* 30 Vermelhos (cujas armaduras e uniformes são predominantemente escarlates) são os militares, responsáveis pela segurança interna e externa da tripulação; e também são os responsáveis pela pilotagem dos Caças Aurora;
* 30 Cinzas (cujos uniformes e macacões são predominantemente cinzas) são aqueles que trabalham em posições auxiliares (cozinha, limpeza, manutenção e também como estivadores nas Docas).
Evidentemente, não existem "folgas" no espaço - mas cada trabalhador permanece dez horas "em serviço" e dez horas "em repouso" (podendo dormir, se alimentar e se divertir como quiserem). Como não estão na Terra, seus "dias" são de apenas 20 horas; e são contados a partir de cada início de missão; seguido pelo número de anos terrestres em que a espaçonave está em operação (exemplo: dia 129/83 significa que a missão já dura 129 "dias"; desde sua partida do último encontro com uma base Hipérion; e que a U.S.S. Octopus está trabalhando a 83 anos terrestres). Mas é claro que todos os tripulantes utilizam o "calendário terráqueo", tal com uma "bússola de tempo"...
A estrutura "habitável" desta espaçonave é composta por três "anéis", a saber:
* Anel Externo = composto pelas Docas (imensos depósitos de peças e suprimentos); Hangares (onde ficam guardados os Caças Aurora); e os Canhões (principal sistema de defesa da espaçonave). Todos estes setores são interligados por uma gigantesca esteira metálica, girando em sentido anti-horário, facilitando o transporte de cargas e pessoas;
* Anel Intermediário = funciona como uma "mini-cidade"; com os Aposentos da tripulação; Clínica Médica; Laboratórios de Pesquisas; Refeitórios; Áreas de Lazer e Convivência; Sala de Reunião etc. Situa-se acima das Pontes Principais e abaixo das Pontes Secundárias;
* Anel Interno = abriga o Centro de Comando da nave. Existem 30 cabines de pilotagem (ligadas diretamente ao "sistema nervoso central" da Argos) - onde são analisados todos os dados relativos à viagem (tais como rotas, níveis de suprimentos, relatórios de comunicação e inteligência, estado dos motores e demais equipamentos, acionamento dos sistemas de defesa, segurança interna, controle de gravidade artificial etc).
Existe ainda um "quarto anel", bem próximo ao Centro de Comando (embora isolado e um nível acima); onde estão os comandos manuais do reator nuclear - usados apenas em casos de falhas críticas dos controles eletrônicos. O nível de calor e radiação são imensos; e por isso, esta área raramente é acessada (e quando o fazem, os técnicos devem estar usando roupas de chumbo especialmente desenvolvidas para estas funções - podendo permanecer ali por no máximo cinco minutos).
Obviamente, não foram poucas as crises enfrentadas pela "Vecchia Signora"...
Mas não foram nada, comparadas aos desafios vindouros!
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